Engenheiro Sanitarista: Um Profissional Multidisciplinar

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“O fato de não ser uma engenharia ‘tradicional’ ainda faz com que exista algum preconceito e desconhecimento sobre a profissão (…) Falta conhecimento sobre qual área o engenheiro sanitarista atua e sobre as respectivas atribuições profissionais. Como derivamos da engenharia civil, ocorre uma sobreposição de ambas, que rendem algumas discussões nas plenárias dos Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas) espalhados pelo Brasil” (Ricardo Brotto)

A engenharia sanitária é o ramo da engenharia que trata da exploração e do uso da água, dos projetos e das obras de saneamento básico e de saneamento geral, tais como sistemas de abastecimento de água, de esgotos sanitários, de limpeza urbana, aí incluídos os sistemas de tratamento.

Existe muita confusão entre os ramos pertencentes a engenharia sanitária e a engenharia ambiental, isso ocorre porque há uma tendência das instituições de ensino de unir os dois cursos, a saber, curso de “Engenharia Sanitária e Ambiental”.

De toda forma, para atuar como engenheiro sanitarista, é preciso formação acadêmica no curso de engenharia sanitária.  Outro caminho é cursar graduação em engenharia civil e se especializar em saneamento. 

Assim, a formação do engenheiro sanitarista deve ser ampla nas áreas ambiental, hidráulica, de hidrologia e de recursos hídricos.

A profissão de engenheiro sanitarista passou a ter algum destaque no cenário nacional a partir da ECO92, em razão da maior preocupação dada com o tratamento e destino dos efluentes e resíduos gerados nas cidades.

Sem dúvida, devido à precariedade dos sistemas de saneamento básico e de abastecimento de água potável no nosso país, o mercado de trabalho mais promissor para o profissional da engenharia sanitária é o setor público, pois a maioria desses serviços é de responsabilidade das prefeituras, secretarias estaduais e federais, além de órgãos de planejamento e controle ambiental. 

No setor público, ao engenheiro sanitarista, incube elaborar planos diretores de abastecimento de água, de esgotos sanitários e de bacias hidrográficas; caberá a ele também elaborar projetos de redes de água e de esgotos, irrigação e drenagem, além de projetar canais de escoamento.

Esse profissional também pode gerenciar a operação de Estações de Tratamento de Águas (ETA) e Estações de Tratamento de Esgotos (ETE), que tratam águas poluídas ou contaminadas.

As áreas de destaque em que ganham repercussão a atuação do engenheiro sanitarista são, claramente, àquelas que respaldam o interesse social, as questões ecológicas e ambientais, pois sua atuação está relacionada às áreas de hidrologia, hidráulica, gestão e licenciamento ambiental, saúde pública, gestão do impacto de atividades humanas sobre o ambiente, recuperação de áreas degradadas, sistemas de drenagem de águas pluviais, relatórios de impactos ambientais, controle da poluição atmosférica, da água e do solo.

No setor privado, o engenheiro sanitarista pode atuar, especialmente, em empresas de consultoria, voltadas à estudos e projetos de obras sanitárias (água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos), na criação de sistemas de irrigação, drenagem, saneamento e bombeamento, inclusive em emissários submarinos ou subfluviais. Pode ainda desenvolver Estudos de Impactos Ambientais (EIA-RIMA), em conjunto com uma equipe multidisciplinar.

Na construção civil, o destaque da atuação do engenheiro sanitarista está na concepção das instalações hidráulicas de um edifício ou no licenciamento ambiental. É uma área que está em franca ascensão
desde o surgimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos em 2010.

“A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) (…) contém instrumentos importantes para permitir (…) o enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.
Prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado).
Institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos: dos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos na Logística Reversa dos resíduos e embalagens pré-consumo e pós-consumo.
Cria metas importantes que irão contribuir para a eliminação dos lixões e institui instrumentos de planejamento nos níveis nacional, estadual, microregional, intermunicipal e metropolitano e municipal; além de impor que os particulares elaborem seus Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.(http://www.mma.gov.br)

Há de se ressaltar, no entanto, o grande descompasso que ainda existe entre a preocupação externa das empresas e dos Governos (federal, estaduais e municipais) com questão ambiental e a real preocupação com as práticas sustentáveis, que não acompanham o ritmo das ações de marketing, razão pela qual, o profissional da engenharia sanitária ainda não tem um campo tão vasto para trabalho. 

Você conhece o tanque fluxível?

Seu inventor foi Francisco Rodrigues Saturnino de Brito (1864 — 1929), considerado o “pioneiro da Engenharia Sanitária e Ambiental no Brasil”, que realizou amplos estudos de saneamento básico e urbanismo por várias cidades do país.

O chamado tanque fluxível, invento desenvolvido por Saturnino, foi utilizado no Brasil e em toda a Europa no século XX, tendo sido batizado, após a sua morte, de tanque fluxível tipo Saturnino de Brito, e só foi abandonado depois da década de 1970 após a adoção da tensão atrativa para o cálculo das redes de esgotos sanitários.

Esse sistema de saneamento consiste em um reservatório subterrâneo de água cuja função era, através de descargas periódicas em alguns trechos da rede de esgotos, onde era comum o entupimento por acúmulo de material sólido, evitar obstruções por sedimentação progressiva. 

Saturnino foi realmente o mais notório dos engenheiros sanitaristas do país, tendo sido eleito pelo congresso da “Associação Brasileira de Engenharia Sanitária” e Ambiental, por unanimidade, como Patrono da Engenharia Sanitária Brasileira. Suas mais diversas obras técnicas de saneamento foram ainda adotadas na França, Inglaterra e Estados Unidos.

 

Gostou do nosso artigo? Na sua empresa há profissionais da área da engenharia sanitária? E você, engenheiro sanitário, como está o mercado de trabalho? Deixe seu comentário e vamos debater a respeito. 

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